Tuesday, June 28, 2011

Dados sobre energia no Brasil

Impressiona pensar que São Paulo é, talvez, a única metrópole do mundo que funciona predominantemente (51%) com energia renovável. E poderia ser muito mais limpa se privilegiasse transporte público - Veja só que ótima oportunidade para criar mercado para o biodiesel. Nada mais adequado.

Oferta de Energia (2004)




Mundo

Brasil

Petróleo

35%

Petróleo

43,6%

Carvão

24,59%

Carvão

6,8%

Gás

20,44%

Gás

6,6%

Nuclear

6,33%

Nuclear

1,8%

Total ñ renovável

86,39%

Total ñ renovável

58,7%



Biomassa (t)

8,48%

Biomassa (t)

19,0%

Biomassa (m)

1,91%

Biomassa (m)

6,9%

Hidro

1,73%



Hidro (small)

0,41%

Hidro (total)

6,9%

Solar

0,53%



Eólica

0,32%

Eólica

0,1%

Geotermal

0,23%



Total renovável

13,61%

Total renovável

41,3%



Oferta de Energia em São Paulo(2004)




Energia em SP

Energia da Cana-de-açúcar

Petróleo

40%

Palhas e pontas

33,86%

Carvão

3%

Bagaço

34,71%

Gás

6%

Sacarose

31,43%

Nuclear

0%


Total ñ renovável

49%


Cana de açúcar

30%

Composição do Bagaço

Hidroelétrica

17%

Celulose

47%

Lenha

2%

Hemicelulose

25%

Outras fontes

2%

Lignina

21%

Total renovável

51%

Outros

7%

Notas: A Ecologia Humana como Referencial Teórico e Metodológico para Gestão Ambiental

Notas sobre o Artigo: A ecologia Humana como Referencial Teórico e Metodológico para Gestão Ambiental Autores: Molina, Silvia Maria; Lui, Gabriel H.; Silva, Mariana, Piva.

O problema fundamental da adaptabilidade humana é a plasticidade de respostas ao ambiente. Aspectos fisiológicos (plataforma biótica) e sócio-culturais (cultural core) interagem para adaptação\solução dos desafios ambientais que o ser humano possa vir a enfrentar.

> Moran, E. F. Adaptabilidade Humana: Uma introdução à antropologia ecológica São Paulo, Edusp, 1992.
> Kormondy; Brown. Ecologia Humana. São Paulo, Ateneu, 2002.

No uso do habitat, estratégias físicas (biológicas) e culturais são empregadas nem sempre com sucesso, nesse caso é comum haver migração para outro habitat.

> SchutkowiskiH. Human ecology biocultural adaptations in human communities. Springer, 2006.

A abordagem teórica da ecologia humana consiste especialmente no estudo dos modos de produção, as escolhas adaptativas intrínsecas para obtenção dos recursos pelas populações. Nesse sentido a relação do ser humano com o habitat no seu processo de desenvolvimento se faz fundamental. Tanto do ponto de vista evolutivo como adaptativo. {o que pensar do clímax ecológico nesse ponto?}

(Análise minha)

> Begossi, A. A ecologia humana: Um enfoque das relações homem ambiente. Revista Interciência. Caracas. 8[3] p. 121-132, 2002.

O avanço tecnológico é um dos fatores determinantes que caracterizam uma sociedade, postulam Lenski e Lenski, mas baseado em que tipo de tecnologia? A partir de que tipo de lógica? (nota minha) Seria comparado ao materialismo histórico de Marx?

> Lensky, G. E.; Lensky, J. Human Societies: An Introdution to Macrosociology. NY, Mc Gram-Hill, 1982.

"... O território passa a ser uma área imersa em valorações simbólicas dos recursos naturais nela existentes. A territorialiedade está ligada à idéia de riqueza e distribuição dos recursos mais vitais..." pg. 25 (Molina et al.)

Como em Sachs, Leff assume uma posição integralista entre a economia e a ecologia, tendo em vista a relação dos problemas entrópicos e das extrenalidades decorrentes da economia de mercado e de capital abstrato.

> Leff. E. Saber Ambiental. Petrópolis, Vozes , 2001.

A economia ecológica, nesse contexto assume a existência do capital natural, sendo o capital natural a plataforma para a criação do capital cultural. O capital manufaturado, segundo Berkes e Folk, seria o resultado da interação entre os outros dois. (não seria melhor ver o capital manufaturado como uma parte do capital cultural materializado?).

> Berkes , F.; Folke, C. Systems Perspectives on the interation between natural, human made and cultural capital. Ecological Economics, Amsterdan, n.1 p. 1-8, 1992.

Tuesday, June 07, 2011

A evolução da liberdade até o dia clarear...

Sustentabilidade. Com certeza, todos nós ouvimos diversas vezes por dia essa palavra. Ela quase que se tornou um mantra, que toda a sociedade entoa repetidamente. Sustentabilidade é a grande utopia pós-moderna, o sonho acalentado que uniu nas últimas décadas o idealismo de diferentes gerações. Ao contrário da contra-cultura da década de 60, em que havia um conflito ideológico entre pais e filhos, professores e alunos, finalmente chegamos ao século XXI compartilhando valores nascidos na ciência.

Mas o que vem a ser sustentabilidade de fato? Imaginar um mundo limpo e próspero é desejável, mas para poder construí-lo certamente é preciso entender a fundo do que trata o fundamento desta nossa utopia. Gostaria de convidar você leitor para uma viagem teórica pelos caminhos da ciência que alicerçam a idéia de sustentabilidade. Comecemos pelo fim.

Qual é a definição de sustentabilidade mais aceita atualmente? A definição de sustentabilidade vigente, aceita inclusive pela ONU é “Garantir as necessidade presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de garantirem as suas próprias necessidades”. Essa foi a definição construída pela comissão Brundtland, com o consentimento de cientistas, empresários e políticos. Tentou-se, com muito mérito, adequar as tendências ideológicas de dois grupos que tinham posições divergentes sobre sustentabilidade. Os ‘ecólogos fundamentalistas’ e os ‘economistas do crescimento’. Os ecólogos fundamentalistas defendiam que a economia não poderia crescer para haver sustentabilidade. Os economistas, por outro lado, defendiam que só o crescimento da economia poderia gerar inclusão social. Assim, houve uma tentativa de contemplar na definição as necessidades do ser humano com as possibilidades de extração de recursos do meio-ambiente.

Certamente todo esse processo foi um grande avanço, mas infelizmente não encerrou o debate. Como entender a garantia de necessidades respeitando o meio ambiente se as necessidades presentes na nossa sociedade variam de baldes de água a jatos particulares? E quando nós cientistas percebemos isso e começamos a falar em números e limites da biosfera, políticos e empresários nem sempre gostaram da lição da casa que disso advém. Impor limites, ou mudar os padrões de produção e consumo. Prova maior foi o fracasso do protocolo de Kioto, em que assistimos muitos políticos bradarem a favor da natureza, portanto que pudessem atender aos interesses do mercado. Ou seja, se recusaram a assinar qualquer tipo de compromisso palpável, mostrando que, infelizmente, as esferas ecológica e econômica, devido a características do nosso processo civilizatório, ainda estão em conflito.

Vivemos em uma cultura onde consumir é uma forte razão da existência social. A cultura moderna que trouxemos da revolução industrial nos leva a maximizar a produção enquanto fruto do avanço tecnológico, a fim de satisfazer uma necessidade social criada artificialmente pelos meios de comunicação. Ligue a televisão e veja os comerciais. Eu já vi propagandas vendendo máquinas para secar alface e até um restaurante que serve bifes que vem de avião do Japão. Não sou contra o consumo, mas existem maneiras de realizá-lo. A cultura consumista apoiada pela tecnologia tem sido sim responsável pelos problemas ambientais. Mas se por um lado é possível realizar lucro sem destruir a natureza – e realmente algumas empresas estão conseguindo isso – por outro, a sociedade do consumo em massa nos trouxe a uma taxa de extinção de espécies 100 vezes mais rápida quando comparada às taxas anteriores à revolução industrial. Portanto, o que importa dizer é que a civilização industrialista como a conhecemos hoje está afrontando os princípios necessários para existência dos seres vivos segundo a teoria de Darwin. Princípios que dão a real noção do que vem a ser sustentabilidade. E é exatamente sobre isso que quero tratar.

Quando Darwin percorreu o mundo no navio chamado Beagle, ele visitou grande parte dos ecossistemas terrestres. Deu voltas ao mundo, e estudou milhares de formas de vida. A primeira coisa importante que ele percebeu foi a existência da “teia da vida”. Darwin descobriu que todos os organismos vivos estão conectados e dependem uns dos outros para sobreviverem. Ele mesmo dá um exemplo quando fala que uma pequena alteração na bioquímica de uma vespa pode alterar a bioquímica de uma floresta inteira. Os seres vivos de diferentes espécies se relacionam de maneira muito complexa, nutrindo-se, fecundando-se, trocando moléculas químicas e até, como se soube mais tarde, material genético. Insetos polinizam flores, fungos tornam a terra fértil, bactérias de diferentes espécies trocam DNA... Essas relações são tão sofisticadas que até a predação chega a ser um importante mecanismo de sobrevivência para manter viva a própria espécie predada. Explico. Explosões populacionais podem gerar subnutrição, pelo fato de haver muitos indivíduos da mesma espécie competindo por um estoque finito de alimento, e a subnutrição decorrente pode gerar epidemias e extinção. A ‘teia da vida’, proposta por Darwin, é, em última análise, o que garante os recursos necessários para manter a vida na Terra em relações que vão muito além da garantia de aquisição de recursos. É através dessas infinitas relações que ela mantém-se a si mesma.

Darwin descobriu que na “teia da vida” o efeito em rede da luta pela sobrevivência não privilegia uma espécie, pelo contrário, ela favorece a todas, gerando a adaptação mútua e a criação de novos organismos. Para sobreviver, espécies se adaptam ao novo, ao hostil e ao acolhedor, em todas as possibilidades que o ambiente orgânico e inorgânico permite. E isso envolve uma maneira e um tempo próprios, compartilhados com as estações do ano, com o dia e a noite, com os ciclos naturais ao longo de milhares de anos. Tudo isso resulta em biodiversidade durante o processo de evolução. A evolução é o sentido da vida. É a adaptação evolutiva que suporta a existência da ‘teia da vida’ ao longo do tempo. O ser humano faz parte desta “teia da vida” e não pode viver sem ela. Ele tem um papel a cumprir dentro dela, e esse papel só é possível de ser cumprindo quando ele colabora para o propósito desse processo.

Para entender mais a fundo o papel do ser humano no processo evolutivo, é preciso ainda reconhecer uma diferença fundamental entre os seres humanos e os outros animais. Os seres humanos possuem função simbólica, e com isso geram cultura. E a cultura, dada a sua plasticidade de resposta, parece ser a ferramenta adaptativa mais poderosa que existe na natureza.

A cultura humana ao longo de milhares de anos, em diversas sociedades, garantiu não apenas a vida do homem, mas, junto com ele a de milhões de espécies. No processo evolutivo todos garantem a sobrevivência de todos. Quem nunca viu a famosa foto da índia dando um peito a um porquinho do mato e o outro ao seu próprio filho? Os índios no Xingu explicam em rituais mágicos para uma árvore que ela precisará ser cortada, dizendo a ela que a tribo precisa de uma canoa para pescar e alimentar os pequenos. Há respeito e noção de sagrado perante a natureza. Ela não é vista como uma fonte para se extrair recursos, e sim, como um habitat onde recursos são compartilhados. Cumpre-se assim o papel na “teia da vida”, ao caçar, impulsionando a evolução de outras espécies, ou na coleta de frutos, disseminando sementes, entre tantos outros exemplos possíveis. As sociedades que sobreviveram por milhares de anos, só o conseguiram porque impactaram o ambiente num ritmo compatível, assimilável, pelo processo evolutivo dos outros organismos.

Não obstante, da mesma forma que uma espécie variante pode vir a não se aptar, a cultura também pode criar padrões de comportamento que a seleção natural vai descartar primariamente ao longo do processo evolutivo. Padrões culturais que não se encaixam nas possibilidades permitidas pela ‘teia da vida’ tendem a ser eliminadas. E como foi dito, a adaptação não trata simplesmente de extrair recursos do meio. Ela está muito mais ligada ao papel conjunto no ecossistema. Nesse sentido, a adaptação é sinônimo de geração de biodiversidade, e a cultura industrialista, dadas às evidências de destruição da biodiversidade, parece não ser adaptativa no longo prazo.

Do ponto de vista biológico, uma cultura só pode sobreviver na medida em que colabora para o processo evolutivo do todo. Vale lembrar da definição de sustentabilidade adotada pela nossa sociedade. Ela é entendida parcialmente e omite a palavra natureza na definição. Além disso, é interpretada através de uma postura mercadológica. O senso comum a entende como uma garantia de recursos para o homem, como se a natureza pudesse ser um supermercado que nunca pode fechar, quando na verdade o seu entendimento deveria estar focado nas possibilidades de interação da vida com a vida. Por isso, costumo dizer que antes de garantir recursos, sustentabilidade é colaborar para a riqueza da “teia da vida”, da maioria das espécies da biosfera. O ato de garantir recursos é o resultado natural disso, e não a razão primeira da sustentabilidade. Se respeitarmos a biodiversidade não será preciso ‘garantir recursos’, eles sempre estarão abundantemente disponíveis.

Em termos científicos, sustentabilidade é o resultado de uma cultura que gera ou mantém biodiversidade.

Cabe ao ser humano, com sua razão, decidir quanto e que tipo de biodiversidade ele vai permitir que o planeta sustenha tendo em vista o padrão de consumo que adota para si. Ou ainda, descobrir de quanta biodiversidade o planeta necessita para garantir a sobrevivência desse mesmo ser humano em função de uma cultura.

Perante esse problema, como o ser humano vai inserir as demais formas de vida na sua tecnosfera? Como a nossa tecnologia mecânica e eletrônica se integrará a grande tecnologia organísmica da biosfera? Essas são perguntas que estão diretamente ligadas à noção de sustentabilidade, e que, infelizmente, não são tratadas com freqüência na mídia.

Até quando a mídia vai educar as novas gerações nos programas ambientais e vender sabão em pó à base de soda cáustica nos comerciais desse mesmo programa? Não quero postular uma visão infantil das coisas. Hoje, ainda, precisamos do padrão de consumo que possuímos. Não se trata de revolução. Evolução é a chave do enigma. Também acredito que a democracia e o livre mercado são as formas mais viáveis de organização político-econômica que dispomos, mas não me parece inteligente crer que essa é a forma final, ou ainda, que não precisemos revê-las profundamente. Transformações dessa monta levam gerações e só são possíveis através da educação.

A escola deve munir os alunos de conhecimento para enfrentar a vida e os problemas que tempo histórico apresenta. A educação ambiental é fundamental nesse sentido. De que adianta formar um alto executivo, se todo trabalho e eficiência dele não geram uma sociedade mais justa? Um meio ambiente mais limpo? Ora, que seja um presidente de empresa, um político ou empresário cuidadoso com as formas de vida que o cercam. Que seja um líder justo e sábio.

Só a educação pode transformar nossos padrões de consumo de maneira que nossa cultura se torne adaptativa do ponto de vista evolutivo, e que se garanta o mantenimento da biodiversidade por razões que já tratei aqui.

O resultado do trabalho de cientistas como Darwin, foi sem dúvida a visão sistêmica da natureza. O reconhecimento da sua complexidade, da sua delicadeza e de sua força, mas acima de tudo, de sua viabilidade existencial. A ciência é um instrumento racional que pode nos ajudar a construir um futuro desejável. É essa uma possível contribuição da ciência na educação dos nossos alunos, desde a infância até a idade adulta. Nós, educadores, podemos mostrar os reais fundamentos da noção de sustentabilidade que a sociedade tem adotado. Dar, através do conhecimento, o livre arbítrio perante as necessidades de consumo a que somos sujeitos. Fazer valer a função real do conhecimento, que é trazer liberdade de ação ao espírito humano.

Saturday, April 16, 2011

A Palavra de Novaes

Fiz essa entrevista com o Washington Novaes quando trabalhei na BlogTV, para o Blog Action Day...

Nesta entrevista exclusiva por telefone à BlogTV Brasil, Washington Novaes, jornalista e uma das mais importantes vozes internacionais da causa ambiental, nos fala sobre Internet, meio ambiente e Blog ActionDay.


RR - O Blog Action Day reuniu cerca de quinze mil blogueiros de todo o mundo em um movimento pelo meio ambiente. Nós gostaríamos de saber qual o grau de importância que você atribui a um movimento deste tipo e, de um modo geral, à comunicação via Internet para ampliar a consciência ambiental.


Novaes - Fundamental, todo mundo precisa tomar conhecimento da gravidade da situação, das informações, das possibilidades e do que é preciso fazer em cada área. Então, um movimento como este pode dar uma contribuição importante.


RR - Pensar global e agir local. A blogosfera pode viabilizar essa máxima ambientalista? O que os blogueiros podem fazer efetivamente pela saúde do planeta?


Novaes - Acho que a tarefa mais importante é divulgar com muita intensidade a questão dos limites a que nós estamos submetidos. Não se trata mais apenas de cuidar do meio ambiente, de proteger o meio ambiente, trata-se de não ultrapassar limites que colocam um grave risco para a humanidade, como a questão das mudanças do clima, dos padrões de produção e de consumo que estão além da capacidade de reposição da biosfera planetária. Estas são as questões fundamentais que precisam ser divulgadas muito intensamente para que todas as pessoas saibam e passem a trabalhar para que esses limites não sejam ultrapassados.


RR - Um grupo indígena do Xingu conectou-se recentemente à web. O que pode nos dizer sobre isso e o que representa esse passo para a emancipação e a preservação da cultura indígena?


Novaes - Essa é uma questão muito complexa. Porque as nossas tecnologias, os nossos formatos de comunicação fascinam as culturas indígenas. Mas ao mesmo tempo, eles, enquanto vivem a força da sua cultura, dos seus modos de viver, as suas tradições, não têm como adquirir as nossas tecnologias, porque não há dinheiro nas culturas indígenas. Têm que mudar os seus modos de vida para produzir dinheiro e poder comprar essas tecnologias. Isso está acontecendo em larga escala... Há pessoas, há antropólogos, que acham que nossas tecnologias podem ajudar a preservar essas culturas exatamente por documentá-las, há outros que acham que essa adesão pode levá-las à aculturação, essa é uma questão ainda em aberto.


RR - Você acha mesmo que, como diz o Caetano Veloso em uma de suas composições, o índio é a mais avançada, da mais avançada, das mais avançadas das tecnologias?


Novaes - Olha, eu não sei se é a mais avançada das tecnologias, mas as culturas indígenas em sua força, preservadas, têm algumas coisas que a nossa cultura deveria prestar atenção. Por exemplo: índio não delega poder. Nas culturas indígenas os chefes não têm poder, não dão ordens. São os grandes representantes da tradição, da cultura, são os grandes mediadores. Mas o índio não dá ordem. O índio nasce e morre sem nunca ter recebido ordem de ninguém. Por outro lado, o índio é auto-suficiente, ele sabe fazer tudo que ele precisa. Fazer a sua casa, fazer a sua roça, caçar e pescar, sabe fazer os seus trabalhos, ter a sua rede. Isso é inimaginável na nossa cultura. Nós deveríamos prestar atenção nisso nas culturas indígenas. Além disso, são nas áreas indígenas que estão as maiores reservas de biodiversidade do Brasil, nós deveríamos estar muito atentos para isso.


RR - Não há soluções estruturais rápidas para frear a "pressão" sobre a Terra e pensando em ações individuais, você poderia citar duas ou três atitudes simples e possíveis de ser adotadas por uma parte da humanidade para reverter o processo ambiental destrutivo que estamos vivendo?


Novaes - Cada pessoa pode contribuir para reduzir a produção de lixo. Nós não precisamos produzir essa quantidade brutal de lixo. Nossos avós, por exemplo, sempre usaram fraldas de pano para bebês. Nós usamos fraldas de plástico, descartáveis. Cada bebê usa cinco, seis fraldas por dia e isso significa mais de mil fraldas por ano. Pode-se também usar energia solar para se esquentar água para o banho. Outro formato, reter água de chuva e usar isso para descarga sanitária. São muitas as possibilidades.




Sunday, January 23, 2011

Notas: Fundamentals of Human Ecology

Notas sobre o livro

Kormondi and Brown - Fundamentals of Human Ecology, Prentice Hall, 1998


Definição


Ecologia: "O conjunto de conhecimentos a respeito da economia da natureza - A investigação do total de relações entre o animal e seu ambiente orgânico e inorgânico". (pg.29)

Ecologia humana: Disciplina que estuda as relações entre o ser humano e seu ambiente orgânico e inorgânico, considerando as trocas energéticas e materiais em conjunto com as trocas simbólicas e abstratas determinadas pela cultura. (definição minha)

Cultura: O conjunto de conhecimentos e padrões de comportamentos aprendidos compartilhados pelos indivíduos em sociedade. (pg.41)

Abordagens

Antropologia ecológica
Determinismo ambiental
Possibilismo Ambiental
Ecologia cultural
- Julian Steward (1930)
-Subsistência enquanto relação da economia com a tecnologia
-- 1) Analisar a relação cultural core e meio ambiente
-- 2) Para estudar antropologicamente a cultura
-- 3) Cultural Core

----------
| Ideologia |
----------
|
---------------------
| Organização Social |
---------------------
|
--------------
| Cultural Core |
--------------
| |
----------
| Ambiente |
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1) Relação entre ambiente e cultural core - Tecnologia modifica o ambiente e abre novas possibilidades de padrões de comportamento. Tecnologia é uma área importante para o ecologista cultural
2) Padrões de comportamento associados ao "cultural core"
- Principal área de estudo da ecologia cultural - como vivem e decidem
3) Efeitos da cultural core behavior - Padrões em outros aspectos da cultura
-amplitude de comportamento permitido (subsistência como limitante ou expansora dos padrões de comportamento)

Tipos de subsistência: Forrageamento; pastoralismo; horticultura e agricultura intensiva > "na metrópole há excluídos do forrageamento? Como seria o forrageamento industrialista?" nota minha.

* Eficiência energética da agricultura intensiva é menor que na agricultura extensiva. "e na coleta, qual é a eficiência?100%?120%? 80%? varia com o quê?" nota minha

Como a eficiência agrícola evolui na medida em que se emprega o capital?

Referências Importantes

HARDESTY - Ecological Anthropology. NY, John Wiley & Sons, 1977
VIERTTEN, R. -
Ecologia Cultural, uma antropologia da mudança, SP, Ática, 1998.
STEWARD, J. H. -
Basin Plateau Aboriginal Sociopolitical Groups. Boreau of American, 1938.


Thursday, November 11, 2010

Pré-sal, por que sou contra...

Descobriram petróleo embaixo do sal, que está embaixo da terra, que está embaixo das pedras, que está embaixo do mar. Nem sei a quantos mil metros...

Ora, a Petrobrás afirma que mandará fabricar 200 navios gigantescos para explorar a riqueza.

Alguém já parou para pensar no risco de duzentos navios explorando óleo no mar? Embaixo de tudo aquilo?

Se plataformas e navios vivem explodindo e afundando, acabando com a vida de animais e com o sustento de populações ribeirinhas, o risco de duzentos navios explorando óleo é muito alto. Mas é muito dinheiro envolvido também... E infelizmente, isso cega os homens. Faz com que loucuras como essa sejam aclamadas na forma de "progresso".

Se tudo der certo, nenhuma gota de óleo vazar ao longo dos anos de exploração, se nenhum navio afundar, eu pergunto: E o efeito estufa das emissões de todos esses bilhões de barris? Como o governo pode se dizer amigo do meio ambiente, e, ao mesmo tempo, poluir insanamente a atmosfera, provocando mudanças climáticas que afetam o mundo todo?

É melhor aprender com o erro dos outros que com os próprios... Não chega o ocorrido no sul dos EUA, que acabou com a costa Norte Americana? Alguém já pensou que é o Rio de Janeiro que iria acabar caso o pior acontecesse? O pré-sal é uma imprudência. Mais do que isso, o governo põe fé num combustível do passado, dentro de um país que é líder mundial em tecnologia de produção de biocombustíveis. Porque não investir em biocombustíveis de segunda e terceira geração, e deixar o petróleo do pré-sal como estoque estratégico?

Se o Rio de Janeiro acabar afogado em óleo, com que cara os líderes brasileiros olharão o mundo e a si próprios?

"Explorar o pré-sal vai gerar dinheiro para o social..." Social é ar puro para respirar, praias públicas para o lazer da população pobre, desenvolver a indústria do turismo, mas mais do que isso, promover investimento em matrizes energéticas que conquistarão o mundo no futuro, gerando empregos baseados na produção e não na exploração da natureza.

O governo diz que vai investir em educação com o dinheiro do pré-sal, mas que educação ambiental é essa que se diz sustentável no discurso, mas na prática comete um crime ecológico gerando emissões de gases estufa?

Não. Educar é mais que isso. É antes de tudo ensinar pelo exemplo. Educação é antes de tudo ensinar coerência. Que exemplo o governo brasileiro está dando para seu povo?

Thursday, October 28, 2010

O dia em que não conheci Marina...

Já faz mais de dez anos... Nos idos de 1994 eu tinha vinte e poucos anos e tinha uma amiga cuja família é de ecologistas. Lembro que cheguei na casa dela a noite, depois do trabalho, eram onze horas. Fui lá jantar. Durante a janta, uma pessoa que eu não conhecia disse: "A senadora está descansando no quarto" . Logo ele se apresentou - sou assessor de Marina Silva.

Perguntei sobre a ilustre visita...

Minha amiga respondeu: "Marina Silva, seringueira que foi eleita senadora, veio para São Paulo, e está aqui conosco à convite de minha mãe..." Eu respondi: "Quem é essa pessoa que sai de um seringal e chega ao senado?" Enquanto Marina estava dormindo, conversamos todos na sala de jantar.

Passamos boas horas falando sobre política, sobre índios, sobre a tragetória de Marina até então, sobre essa figura fantástica, a respeito de quem, em 1994, muito pouco eu tinha ouvido falar. Acabei ficando por lá naquela noite e pela manhã, ao levantar, pensei... Acho que vou conhecer Marina no café... Era bem cedo, umas sete horas. Um dia lindo de verão entrava pela janela da cozinha... Via-se São Paulo inteiro lá embaixo, acordando... Mas, conhecer Marina? Ah... Ilusão minha... Marina já tinha saído para trabalhar, como fazia nos seringais... Junto com o Sol.

Friday, August 06, 2010

Uma Resposta...

Um "alto funcionário" do governo britânico esteve em Brasília no início do ano para dizer que o país perderia apoio no pleito por cadeira no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se insistisse em negociar o impasse nuclear com o Irã, opondo-se às sanções. A informação é de Claudia Antunes, na edição desta sexta-feira da Folha de S.Paulo.
Os britânicos teriam inclusive citado o exemplo da África do Sul, que teria se inabilitado ao poderoso órgão da ONU quando, como membro não permanente em 2007, se opôs à condenação do Zimbábue.

O embaixador Marcel Biato, da assessoria internacional da Presidência, disse ter rejeitado a pressão britânica.

"Eu disse que havia uma pequena confusão. Não é que para o Brasil seja um objetivo entrar neste Conselho. O Conselho de Segurança é um instrumento. Entrar num conselho que nos servirá de camisa de força, constrangidos a adotar posições a contragosto, não faz jus à nossa história."

(fonte:www.folha.com.br)

Perfeita a colocação do Embaixador. De tirar o chapéu. Finalmente o Brasil tem uma política externa de gente grande.

Precisamos levar esse tipo de postura para a questão ambiental no cenário internacional.