Está acontecendo neste exato momento uma importante reunião em Roma sobre Bioenergia e segurança alimentar, dois dos temas mais polêmicos na política internacional da atualidade. Os interesses que estão por detrás da produção energética e da agricultura, de forma geral, são gigantescos, principalmente porque em ambos os casos trata-se do verdadeiro bem de consumo que está por trás de todas as trocas econômicas, a energia. Daí a importância oculta do tema.
A agricultura alimentar é a matriz energética da vida dos seres humanos. É alimentando-se que os organismos vivos se abastecem de energia para sua sobrevivência. Portanto, a agricultura alimentar mantém energéticamente as funções internas do organismo humano, ou seja, seu ambiente interior. Sem alimentos não há vida. Já, a agricultura de energias renováveis, como o álcool, mantém parte das funções do ambiente externo ao organismo humano. As atividades que os seres humanos gastam nos limites exteriores ao seu organismo, como transporte, aquecimento...
Em ambos os casos trata-se de energia. A ecologia geral nos ensina que a base energética que mantém a teia da vida nas cadeias alimentares vêm dos vegetais. São os vegetais que captam e armazenam a luz solar em forma de energia química que todos nós usamos. Tanto internamente (organismo) quanto externamente (ambiente exógeno).
Especificamente no caso do ambiente externo, quando deixamos de lado o uso de um combustível fóssil (para transporte, por exemplo) e adotamos um combustível renovável, estamos na verdade integrando nossa sociedade à cadeia energética natural dos seres vivos no planeta. Um carro movido a álcool de cana-de-açúcar tem uma matriz energética mais parecida com a de um cavalo do que a de um carro movido a gasolina. É curiosa essa comparação, mas é verdadeira, dado que em ambos os casos - cavalo e carro a álcool - a energia que os move é renovável, ao passo que a gasolina é diferente.
Entretanto, muitos países relutam em desafiar esta proposição lógica e insistem em atacar os biocombustíveis. Por que certos países não misturam uma porcentagem de álcool na sua gasolina para começar a migração da matriz energética não renovável para uma matriz energética renovável? Por que tanta demora com tais medidas simples, técnicamente já solucionadas? As vezes fico pensando que essa resistência dos países ricos esteja justamente em entender que ao assumir os biocombustíveis como matriz energética, eles vão mudar o eixo de poder de suas mãos para as mãos de países tropicais, onde incide a maior parte da luz solar no planeta e onde se concentram as terras mais férteis para plantar.
Além de relutarem em aceitar essa transição natural da matriz energética, alguns grupos poderosos atacam os biocombustíveis com argumentos infundados, dizendo que faltará alimentos se adotarmos os biocombustíveis como matriz energética. É tão absurdo que basta lembrar que apenas 1% do solo brasileiro cultivável está produzindo álcool. Além disso, sabe-se que não falta alimentos no mundo, o que exieste é má distribuição. Os EUA são um país em que se morre de obesidade. Não faltam terras nem sementes. Falta dividir melhor o dinheiro do mundo, mas quem quer dividir o conforto que tem?
Finalmente o Brasil está se posicionando como gente grande na política internacional. Atacando os EUA quando eles ferem nossos interesses, abrindo rotas comerciais com a África e Oriente Médio, dialogando com soberania e independência com Cuba. Tudo isso sem revoluções malucas, ataques de estrelismos alá Chaves, sem tirar os pés do chão. Devo admitir que a política externa do governo Lula vai muito bem obrigado.
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